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Vejam nossa palestra sobre o Por Que Eu? para o CONADAM

 

Concurso Literário Papel D´Arroz 2015

O Amor é Cego
Acordei assustado, olhei ao meu redor, vi o quarto escuro, me arrepiei todo ao perceber o que tinha acontecido. Eu, mais uma vez, tinha tido um pesadelo. Um pesadelo ou um sonho? Não sei bem, só sei que isso agora era constante, que a cada dia eu desejava mais algo que não sabia o que era, nem como conseguir. Estou ficando louco? Depressivo? Ouvi a respiração daquela pessoa ao meu lado, olhei o rosto dela na penumbra, tão bonito, tão calmo, sereno… Aquele rosto que sempre me acalmava, agora não me trazia mais nada, era como se fôssemos estranhos na mesma casa. Não fazíamos sexo há meses e não lembro a última vez que foi realmente bom, que tivemos tempo pra isso, tempo pra curtir o momento, tempo pra venerar um ao outro. Era tudo muito mecânico. Eu vivia como se adormecido ali naquela casa. Trabalhava muito, às vezes passava mais de 14 horas fora de casa e não tinha a mínima vontade de voltar. Acho que talvez ela sinto o mesmo. Na verdade, a minha vontade era de ficar trabalhando cada vez mais. No trabalho, o pensamento sobre minha vida e meu casamento eram deixados pra trás, porque havia algo mais importante pra fazer ali. Contas deveriam ser pagas, então esqueça sua vida e trabalhe, era isso que eu pensava e repetia todos os dias para mim mesmo.
Comecei a andar pelo quarto, depois fiquei com medo dela acordar e não era justo com ela que também trabalhava tanto. Ela precisava dormir. Ela é uma boa esposa. Sempre foi parceira, companheira, não sei bem como nos perdemos e nem quando, mas ela continua sendo uma boa pessoa e uma boa companhia. Saí do quarto, andei pela casa, olhei as estrelas e me perdi ali, naquela visão magnífica do céu, da noite, da perdição, de pensamentos e de sonhos.
– Estou perdido – disse a mim mesmo.
Quando será que me perdi? Quando será que deixei isso tudo acabar? O que está acontecendo conosco? Comigo? Não sou mais o mesmo, mas ela também não. Lembro-me de quando me apaixonei por ela, tudo parecia tão certo, tão bonito e éramos felizes. Tudo se encaixava perfeitamente e sempre tivemos momentos muito bons. Até hoje temos. Viajamos, vamos às festas, reuniões, igreja, amigos e tudo parece ser muito perfeito de fora, mas quem está aqui dentro de mim sabe que a realidade é bem diferente daquilo que se é mostrado na internet, nas fotos ou para as pessoas de fora.
Quase não conversamos sobre nós e quando fazemos isso é como se não nos conectássemos mais, nossos desejos não são mais os mesmos, estamos focados em coisas diferentes. Talvez eu não tenha paciência com ela, talvez ela não tenha comigo; talvez ela tenha se tornado muito religiosa; não que isso seja ruim, mas ela me deixa um pouco de lado com isso. Talvez ela não me ame mais. Talvez a gente tenha se tornado amigos, irmãos e esquecido a parte na qual deveríamos continuar sendo amantes. Não sei se o meu desejo sexual é normal, se isso é ser homem, se isso é ser normal, se isso é amar… No entanto ao mesmo tempo, penso que se ela não tem desejo algum, talvez não me ame mais. Será que ela tem algum problema físico? Será que eu exijo muito? Será que ela tem outro? Será que o problema sou eu? Sei que não sou perfeito, nem tenho um abdômen travado, de tanquinho, nem um corpo esguio, nem nada do gênero. Na verdade, estou até acima do peso. Meu pênis também não ajuda, não é grande, nem imponente; mas é grosso e acho que uma parte deve compensar a outra, pelo menos é o que eu espero, o que perde no tamanho, ganha em espessura. Já ouvi dizer que assim como os homens têm tamanhos diferentes, as mulheres também têm vaginas de tamanhos diferentes. Uma vagina pequena, então é o que eu preciso e sei que essa eu consigo satisfazer. Não sei se em algum momento eu perguntei se isso era problema pra ela, não sei se já falamos abertamente sobre nossas preferências sexuais. Nesse momento, não sei de mais nada.
Lembro de ter tocado nesse assunto algumas vezes e ela ter simplesmente mudado. Ela não gosta de falar sobre isso e quando fala, fica irritada, como se não se importasse com o desejo que eu sinto, ou comigo, nem com minhas preferências. Ela escolheu umas posições e as consagrou como o que fazemos; as outras? Foram excluídas totalmente de nossas vidas. “Deus não gosta da posição de quatro”. Um dia ela me disse isso. Será? Isso está realmente na Bíblia? Em algum momento, alguém realmente encontrou alguma passagem onde Deus fala sobre quais posições são permitidas? Não me lembro de ter lido isso e olha que leio e releio muito a Bíblia, mas não encontro as posições sexuais regulamentadas em lugar algum. Isso só deve ter sido inventado por alguém. Um louco que não sabia o que era prazer, que não gostava de sentir prazer, ou que nunca tenha sentido prazer. É quase impossível pra mim aceitar que Deus sendo o Pai perfeito que é, iria criar algo imperfeito. O sexo é a expressão máxima de amor entre duas pessoas. Como é que isso pode ser pecado? Como é possível um momento tão intenso de amor, tão prazeroso, de tanta veneração, de tanta adoração e dedicação ao outro ser considerado impuro? Deus não faria isso. Isso não é pecado! O sexo não pode ser visto assim? Se feito com amor, ele é expressão maior de amor entre dois seres, é uma união com o divino, é uma conexão com o ser maior, é pura energia, tão intenso e real. É dádiva pura: prazer, desejo, adoração e amor em um único ato. Isso só pode ser um presente dado por Deus pra nós, não uma punição. A bunda também deve ser adorada, na verdade, o corpo todo deveria ser visto como um bem e não como algo pecaminoso. Como Ele faria algo imperfeito?
É engraçado como as coisas acontecem. Em nossa última viagem, fizemos tanto: andamos, conhecemos lugares maravilhosos, jantamos, aprendemos sobre a cultura de outros locais, comidas diferentes, costumes, vidas; e à noite eu esperava uma demonstração de afeto e nada. Eu a abraçava e ela se virava para o lado, dizia que estava exausta, que precisava dormir. Nem uma vezinha? Duas semanas em uma viagem magnífica e nem assim consigo o que eu quero. O que mais preciso fazer? Todas as mulheres são assim?
Não sei se em algum momento eu vou pressioná-la, mesmo meu desejo sendo intenso, não é ainda suficiente para que eu fique louco ou faça algo irracional. Quando a toco, ela fala que me admira por eu nunca forçá-la a ter relações comigo quando não está a fim. Aí eu perco a coragem de tentar algo mais, de conversar sobre isso, de fazer o que quero. Mas aí surge uma dúvida em minha cabeça e que me deixa furioso: quando ela estará a fim? Se eu deixar nas mãos dela, nunca faremos sexo. Será que algum momento ela me procurou? Não consigo me lembrar como era o começo do nosso namoro. Não lembro a última vez que ela me procurou, só eu a procuro e isso cansa. Ser rejeitado é cansativo, isso acaba com meu ego, com minha autoestima, com minha criança interior que só quer um pouquinho de amor. Eu sou egoísta? Querer amor é egoísmo? Quem sou eu?
Me pergunto, olhando pra as estrelas, mas elas não respondem. Sinto uma angústia tremenda me invadir, uma solidão profunda toma conta de mim e ao mesmo tempo que olho a lua cheia, branca, linda, brilhando acima de mim; eu faço um pedido a Deus: que me ajude a encontrar aquilo que eu procuro, o que eu quero, o que minha alma deseja e espera. Adormeço em meio aos meus pensamentos, pedidos, orações e desejos. Acordo com a luz do sol em meu rosto e uma dor enorme em minhas costas, só aí percebo que dormi na cadeira, na varanda do apartamento. Ando para o quarto em silêncio, ao reparar que a minha dor ainda está ali e quando vejo que ela não acordou, resolvo me arrumar.
Tomo meu banho, faço a barba, me visto e vejo que ela me olha, com preguiça. Vou até lá e dou um beijo em seu rosto para desejar um bom dia, ela sorri, se levanta e vai pra o chuveiro. Mais uma vez, sou deixado no vácuo e me esforço muito naquele momento para manter a calma, o bom humor e a vontade de chorar que sinto, esmagando o meu peito. Vou até a cozinha, faço o café como sempre faço, sem açúcar, forte, pra me ajudar a enfrentar o dia, faço uma torrada com geléia e me sento, comendo devagar, esperando por ela. Não sei bem o que espero, gostaria de uma resposta sobre o que está acontecendo, sobre nós, sobre tudo, sobre quando isso começou ou o porquê, mas sei que isso não terei tão cedo. Ela chega, senta ao meu lado, aperta minha mão, pega uma torrada com geléia, uma xícara de café e me pergunta:
– Dormiu bem? – Vejo nesse momento que ela não percebeu minha ausência na cama e respondo:
– Sim, bastante e você? – Ela dá um sorriso torto e fala, estou cansada, estou sempre cansada.
Faço que sim com a cabeça e ela dá um sorriso falso, como se não gostasse da minha resposta, mas eu não gostaria de mentir nesse momento. Estou cansado de mentiras. Sinto como se estivesse vivendo uma mentira há anos, um casamento feliz? Até quando fingiremos que temos um casamento feliz? Até quando fingiremos que nossa vida é perfeita? Que a gente se ama? Se encaixa? Se entende? Começo a mostrar insatisfação com o silêncio que se apoderou de nós nesse momento e me dou conta que até isso me incomoda agora. O silêncio confortável e natural entre duas pessoas é a forma mais simples e mais completa de amor. Só ficamos mesmo em silêncio quando estamos realmente confortáveis com aquela pessoa, pois aí sabemos que ela entenderá que não precisamos dizer nada, que nosso olhar já diz tudo; ou quando não conhecemos a pessoa que está ao nosso lado; e nesse momento, me senti na segunda opção.
Droga! Me levanto da mesa, dou um tchau e saio apressado, largando tudo lá pra ela arrumar. Ligo meu carro, coloco o som bem alto, saio pra o trabalho, pegando a rota mais longa, mas nem o trânsito, nem o barulho da música conseguem abafar o som dentro de mim. Tristeza e solidão tomam conta de meu ser e nesse instante, eu choro. Choro copiosamente, como há anos não fazia. Choro como se fosse um garoto abandonado, choro como se tivessem comido meu doce preferido ou roubado meu presente de natal. Choro como crianças choram, com a alma, com o coração partido, com a angústia de 10 anos de casado, com tudo que guardei nesses anos todos, com tudo que engoli para não brigar, com as noites em claro olhando aquele rosto, com nossos sonhos de anos atrás, com nossas brigas, com a esperança que sempre tinha de que algo iria melhorar, com tudo que já conquistamos e com tudo que ainda queríamos conquistar….
Estaciono meu carro, em um estacionamento frio, escuro, coberto e cheio de carros, o que me dá chance de ainda me acalmar, porque sei que ali ninguém está me vendo. Entrego-me mais uma vez a Deus e peço força pra aguentar meu fardo, pois fora isso não tenho razão nenhuma para me divorciar. Até onde sexo é tudo? Até onde eu preciso disso e consigo viver assim? Até quando conseguirei ficar desse jeito, sem me sentir amado? Entendido? Apreciado? Valorizado?
Entro e começo meu dia de trabalho e como se por um passe de mágica, um cliente menciona uns sites de namoro ou de sexo casual, de acordo com ele. Seguro e fácil, é o que ele fica repetindo e assim que ele sai, eu decido me aventurar. Já que o problema é sexo, então vamos consertar o que está quebrado. Faço meu perfil, coloco a palavra casado lá para que as mulheres que verem, saibam que é só sexo casual e começo minha busca. Fotos e mais fotos, peito, bunda, rostos… Prefiro rostos, ainda tenho que fazer sexo com um rosto, não é só peito e bunda. Talvez eu consiga no futuro, mas como estou começando agora, ainda preciso conversar e olhar um rosto, considerar essa mulher uma pessoa e não só um corpo.
Um dia inteiro se passa nessa brincadeira e fiz alguns contatos, conversei com algumas, flertei com outras, me empolguei em alguns momentos e comecei a me sentir vivo de novo, interessante, alegre. É, acho que possivelmente eu tenha achado o que tanto procurava. Adicionei alguns números ao meu telefone, pois assim fica mais fácil. Tenho que aprender a língua da internet, porque sou velhaco e ainda não estou por dentro de tudo, mas ficarei. Aprendo rápido.
Dias se passam, conversas vão e vem; pessoas desaparecem, outras se tornam chatas, preconceituosas ou simplesmente não me dão tesão algum. Preciso viajar a trabalho e tenho uma boa ideia pra começar meu novo passatempo: sexo casual com uma das meninas online. Chamo a Elena (que é a gatinha que mais me conquistou até agora) pra ir comigo e ela topa. Nos encontramos no aeroporto – engraçado encontrar alguém pela primeira vez e já viajar juntos como se nos conhecêssemos (mais uma mentira em minha vida, droga!) – e voamos direto para o Rio de Janeiro. Já no avião, me pego pensando se foi uma boa aquela viagem, mas já era tarde. Ajoelhou, tem que rezar. Um final de semana inteiro ouvindo aquela voz irritante (por mensagem é mais fácil, você não escuta a voz, é tudo sua imaginação. A imagem dela não combina com essa voz), aqueles comentários estranhos que a ouvi fazer dentro do avião, tudo me irrita hoje em dia. Ela reparava em todo mundo, em tudo. Meu Deus, um final de semana inteiro, é uma tortura!
Chegamos ao Rio de Janeiro, pegamos o táxi e fomos direto ao hotel. Ainda bem que escolhi um hotel bom, porque eu não aguentaria reclamação dela. Acho que se isso acontecesse, eu viraria as costas e voltava imediatamente pra casa. Mas ela gostou, gostou de tudo, da piscina, da sauna, da vista, da comida e da cama do hotel. Quando entramos no quarto, ela já me agarrou e me jogou na cama. Fiquei sem saber o que fazer direito, mas aí ela veio pra cima de mim, tirou minha roupa e caiu pra dentro. Era o que eu precisava naquele momento. Esquecer. E eu esqueci de tudo. Eu me entreguei ali àquele momento, ao sexo puro, carnal, sem sentimento algum. Foi bom. Não vou mentir. Foi muito bom. Ela é gostosa, bonita e pelo jeito gosta de sexo. Meu pênis não parece ter sido um problema pra ela. Ela não comentou nada, ficou super alegre o tempo todo com ele. Então, acho que fomos bem. Pelo menos, eu me senti bem enquanto estava ali com ela.
Trabalhei durante o dia e à noite eu fiquei com ela, dois dias assim. Dois dias de sexo. Fomos pra casa e quando chegamos sabíamos que era o fim. Nós simplesmente nos olhamos e sabíamos que estava tudo terminado. Acabou. Pronto. E agora? Volto pra casa como se nada estivesse acontecido? O que fazer a partir de agora? Como é difícil viver assim? Mentindo até pra si mesmo? Como é difícil viver uma vida de mentiras? O que é a realidade? O que é mentira? Eu não quero a Elena, nós nunca daríamos certo. Ela é muito espalhafatosa, eu sou muito sério. Ela fala muito alto, ri demais, é forçosamente alegre. Isso me irrita, parece que a pessoa está tentando estar bem o tempo todo. Não conseguiria manter um relacionamento com ela, foi simplesmente sexo casual, isso está muito resolvido em minha cabeça, mas ao mesmo tempo tem esse sentimento de culpa.
Passo o percurso pra casa pensando no que direi, em como explicarei minha saciedade sexual nesse momento, em o que fazer para que a Dani não perceba que eu a traí, mas quando entro em casa ela está assistindo TV, me vê, me dá um sorriso e fala:
– Que bom que chegou, meu bem. Vem assistir um filme comigo.
Sento ao seu lado, ela encosta a cabeça em meu ombro e ali ficamos, em silêncio. Meu coração dilacerado, a culpa me matando e essa mulher concentrada no filme, sem ter a mínima noção do que eu fiz. Não sei se me mato de ódio de mim mesmo ou de ódio dela por não ter notado nada. Ela não me vê há 3 dias e mesmo assim parece não ter sentido minha falta. Passo a mão por suas pernas, ela deixa, mas não tem nenhuma reação. Vou subindo a mão, ela a pega, beija e a encaixa na sua, em um abraço. Ela quer assistir o filme, já entendi. Fico ali mais um pouco e depois digo que vou arrumar as coisas para o trabalho amanhã. Deixo tudo pronto e enquanto estou me arrumando pra dormir, ela chega e faz o mesmo. Deito, a espero do meu lado, ela vem, me dá um beijo no rosto e fala:
– Boa noite, amor.
Boa noite? Eu grito internamente. Boa noite? Depois de 3 noites sem mim, ela não quer nada? É como se eu estivesse aqui o tempo todo, nem saudades ela sentiu. Fecho os olhos irritadíssimo e começo a murmurar internamente meu plano contra essa bola glacial ao meu lado. Nesse momento, nem a culpa, nem a mentira me impedirão de recomeçar minha busca para aplacar essa solidão tremenda que sinto. Sinto muito, Dani, mas agora sim, trairei com vontade. Chega de não ser desejado, chega de ser humilhado assim pela mulher que amei e acho que ainda amo. Chega de ser o irmão da minha esposa. Chega! Só tenho que pensar se quero fazer bem feito ou se quero que ela descubra. Não sei se quero magoá-la ainda, mas também não quero vê-la impune. Minha raiva me consome, mas ao mesmo tempo não sei se farei isso por mim ou por vingança.
Um homem ferido, esgotado, abusado. Estou fazendo o quê aqui nessa relação? Ela não precisa de mim financeiramente! Ela trabalha. Eu trabalho. Eu não preciso dela. Se não formos um casal, por que estamos juntos? Será que nos acostumamos? Será que é a ideia de que se Deus uniu, o homem não pode separar? Uma dúvida surge nesse momento: será que Deus como Pai iria querer ver seu filho infeliz por causa de um acordo de dez anos? Será que o Pai não perdoaria seu filho e o deixaria ir procurar sua felicidade? Será que um acordo entre dois humanos, feito por leis imperfeitas e para regras de convivência, é mais importante do que a vontade do indivíduo? Será que não seria melhor viver sozinho, mas feliz do que casado desse jeito? Será que a traição é melhor do que o divórcio? Será que a mentira é mais conveniente e cômoda do que a verdade? Será que tenho coragem pra recomeçar?
Na verdade, acho que isso tudo se resume a vontade e coragem. Um divórcio é para fortes. Os fracos fingem que vivem em um conto de fadas, sempre. Recomeço não é pra qualquer um. Divisão de bens e brigas familiares por causa de uma separação também são difíceis e não são pra qualquer pessoa. Às vezes é mais fácil tentar consertar do que ter que começar do zero. Nesse momento, eu sou um fraco, um acomodado, um idiota, filho da puta e traidor. E a pior traição é a que faço comigo mesmo todos os dias. Quando a traí, eu não fiz mal a ela, e sim, a mim, porque sei que vivo uma mentira, sei que minha alma está ferida, que meu ego está despedaçado e mesmo assim eu continuo ali; sendo pisado, humilhado e vivendo a mesma vida que vivo há anos. Eu traio a mim mesmo, a meus sonhos, a meus ideais todos os dias, porque não sou cafajeste por natureza, não nasci assim, nunca pensei que ser homem fosse pegar todas, usar e abusar de mulheres, deixar alguém em casa e ir pra farra, mentir, ter várias mulheres ao mesmo tempo pra provar que eu sou fodão ou gostosão ou que sou amado. Brincar com os sentimentos dos outros nunca foi minha praia.
Cadê minha coragem? Cadê minha autoestima? Cadê a versão melhor de mim mesmo? Como abdicar de tudo que construí? Como abrir mão dela? Como abrir mão da família? Dos amigos? De nossa casa? Da igreja? De tudo o que somos como um casal? Será que o que ela faz comigo também não é traição? Traição à nossa relação? Ao amor do casal? Fidelidade é prova de amor, mas como ter essa prova se não nos sentimos amados? Para ser fiel eu preciso amar essa pessoa, me sentir bem ao lado dela, sentir vontade de estar mais com ela e do que com outra, pensar nela, sentir prazer com ela e com a presença dela, acordar pensando nela, em seu cheiro, em sua pele, sentir tesão por ela, dormir agradecido e feliz por aquela pessoa estar ali.
Decido dar tempo ao tempo, deixar essa loucura em minha mente esfriar e recomeçar um novo dia amanhã. Adormeço em meio aos meus pensamentos sobre traição, casamento, planos e começo a me perguntar se sou um maricas, se quero ser muito perfeitinho ou se sou nerd demais. Por que é tão difícil assim? Será que os outros caras também pensam como eu? Isso parece tão fácil e simples para alguns? Será que é porque foi a primeira vez? A gente se sente culpado sempre? Ficará mais fácil com o tempo? Algumas pessoas simplesmente traem do nada? Mesmo quando seus casamentos estão felizes há traição? Se a Dani descobrir, será que ela irá se divorciar ou fingirá que não está acontecendo nada? Isso melhorará meu casamento? Cobrarei menos dela agora? Será que ela me dará mais valor se souber que tem competição? Será que eu quero que ela saiba? Será que ela confia tanto em mim assim? Será que ela pensa que não precisa mais investir no casamento, que eu sou dela? Que eu não consigo outra? Será que a ameaça de desestabilização do casamento a afetará? Isso me afeta. Isso afeta qualquer pessoa. Qualquer ameaça a nossa segurança nos desestabiliza. A gente nunca conhece o outro plenamente, mesmo depois de anos de casado, não tem como conhecer ou prever as reações alheias. Tem uma teoria que diz que a traição é culpa dos dois, porque se estivesse bem, ninguém trairia e tem uma outra teoria dizendo que o culpado é quem trai, porque não consegue controlar seus instintos ou resolver seus problemas. O casamento deveria ser uma luta de ambos. Não deveríamos jogar a sujeira pra debaixo do tapete. Deveríamos sentar e conversar, resolver tudo que precisa ser resolvido, limpar a alma e libertar nossa mente.
Recomeço a semana disposto a aprender o que puder sobre traição. Começo uma pesquisa online sobre o tema, descubro que o mandato de exclusividade em uma relação surgiu para conservar a propriedade privada, pois sem isso os homens não saberiam quem eram seus filhos e qualquer um poderia pegar sua propriedade. Engraçado como o lado financeiro está sempre envolvido em nossas decisões? Até na monogamia? Até na traição? Será que se a Dani me traísse eu aceitaria? Essa é uma faca de dois gumes, porque se eu traio eu devo permitir a traição? Será que sou tão egoísta a ponto de achar que só eu posso? Por quê? Sou melhor do que o outro? Sou melhor que ela? Acho que não. Tenho mais dinheiro? Até pra ter uma amante é importante ter dinheiro. Quem irá querer ser amante de um homem pobre? A mulher até fica com o homem sem dinheiro, mas se ele não consegue pagar nem o motel, pode esquecer a amante. Se eu a amasse de verdade, eu deveria pensar no bem-estar dela? Eu não iria querer magoá-la? Não sei se aceitaria bem o fato dela ter um amante. Então por que eu tenho? Será que isso é falta de ter um filho? Um filho resolve o problema dos casais? Acho que quando se há problemas o filho faz é atrapalhar, porque há mais estresse, você dorme menos, gasta mais, tem muitas preocupações e o casal acaba ficando mais de lado ainda para serem pais. É, isso não resolveria meu problema agora.
Traição é a ruptura de um compromisso, uma decepção, algo que provoca conflitos, deslealdade de acordo com o site Wikipedia. O medo é o principal causador da traição, pois é a máscara que usamos para esconder quem realmente somos. Traímos com medo de olhar e analisar nossa vida. Traímos para esquecer nossos problemas. Viver de aparência é mais fácil do que peitar a realidade? Quando eu penso na traição de um amigo, eu fico possesso. Se meu amigo conta algo pessoal nosso em nossa empresa, ou faz algo que disse que não iria fazer, mente, me rouba ou me engana; eu fico muito indignado e se isso acontece com um amigo, eu imagino com a Dani. Traição é traição. Não importa o nome que dão, é a mesma coisa, o mesmo sentimento causado por uma decepção, uma surpresa não esperada e ruim. É um sentimento de perda e perdas são difíceis de aceitar e de conviver, vindo de um amigo ou de uma amante.
Se fosse só por uma aventura ou curiosidade, a minha traição já teria valido, mas é pelo sentimento de carinho, de amor, de apego, de se sentir desejado e isso já não tenho há anos. Será que continuo? Para estar em um relacionamento tem que existir dois interessados. Quando um lado só está regendo tudo, a relação se descontrola. Ela rege tudo aqui em casa, nossa rotina é controlada por ela, nossos compromissos no fim de semana, que horário ir à igreja, quem visitar, que filme assistir, tudo é ela. Será que virei um filho pra ela e não mais um marido? Mães não têm tesão em filhos, tem amor, mas não tem tesão, será que ela perdeu o tesão por mim? Será que eu escolhi ser um fantasma dentro da minha própria casa? Será que fiz bem me anulando tanto e deixando tudo na mão dela? Tem pessoas que dizem que um caso de vez em quando ajuda o casamento e que pular a cerca faz com que o casamento seja mais tranquilo. Eu a considero muito, não quero brigar e talvez por isso tenha deixado muitos problemas sem resolver, o que pode ter-nos levado a esse estado, no qual estamos hoje. Sempre é culpa dos dois. Ela não errou sozinha, eu também tenho parte nisso. Estou arrependido? Não. Então será que ainda existe amor?
Passo semanas me martirizando com meus pensamentos. Semanas se passam, nas quais eu me dedico à Dani, mando flores, aproveito que é aniversário dela e a levo pra jantar, compro uma jóia bem bonita, lavo as louças, arrumo a casa e faço tudo que sei que ela gosta. Não é só uma tentativa de apagar meu deslize, nem estou fazendo isso por culpa. Faço isso tudo por querer que meu casamento dê certo, para que ela decida investir na gente, para que nós tenhamos uma chance de novo. Fazemos sexo, mas não a vejo ali. Era como se tudo fosse mecânico para ela, nem sei se ela realmente goza ou se finge pra que eu acabe logo. Eu demoro muito pra gozar e isso sempre foi elogiado por mulheres, mas pra ela, isso parece tortura. Pode ser coisa da minha cabeça, mas acho que ela prefere uma rapidinha, como se estivesse fazendo uma tarefa, um check-list, terminou e marca como pronta. Não a vejo imersa em mim e isso acaba com meu ego.
Na semana entro no site, ele está bombando e eu me apavorando. Leio e releio as mensagens antigas, algumas novas e começo então a responder todas. Converso com todas, sou educado, saio de fininho algumas vezes, ignoro outras que são muito atiradas e às vezes penso que seria melhor pegar essas garotas atiradas só pra me distrair. Mas a imagem da Elena ainda me atormenta, ela era atirada e não gostei de ficar com ela. Sexo é sexo? Qualquer uma serve? Será? Preciso me conectar? Tem um cheiro certo? Um gosto certo?
Decido mudar já que se é pra testar, quero uma de cada. Na verdade, penso que estou muito bipolar atualmente, minha cabeça está uma confusão só. Começo a conversar com uma mais calma, novinha, dizem que as novinhas são ótimas, então vamos ver. O papo flui, ela é inteligente, mas também inocente em vários aspectos, marcamos um final de semana em um hotel aqui perto, eu vou passar e pegá-la, falo pra Dani que estarei com um cliente a trabalho e ela como sempre nunca desconfia de nada. Fico impressionado com a confiança dessa mulher em mim ou será que ela se finge de tonta? Tem semanas que não a procuro, então esperava pelo menos que ela fosse me usar antes da viagem, me esgotar, mas nada. Às vezes acho que ela até gosta quando ficamos esse tempo todo sem fazer nada e quando fica longe de mim. Fico mais uma vez preocupado com o andamento do meu relacionamento, mas tento esquecer tudo nesse fim de semana. Tento e vou porque a Paty merece todo o meu carinho.
Encontro a Paty no Setor bancário, ela trabalha em um banco e a pego logo que ela sai do trabalho, viajamos por umas 2 horas até o hotel que tinha reservado e como sempre, escolho um ótimo hotel. Ela não parece se surpreender como a Elena, na verdade, acho que ela parece até mais experiente do que eu nesse quesito, talvez ela estivesse se fingindo de inocente. Ela age numa normalidade tremenda, jantamos, conversamos, dançamos e foi tudo muito divertido. No quarto, ela me mostra pra que veio, o corpo dela é de dar inveja. Ela é linda, gostosíssima e sabe muito de sexo. Eu me surpreendi com a naturalidade que tudo ali foi pra ela e em como ela consegue usar aquelas posições que só tinha visto no Kama-Sutra, mas nunca tinha experimentado.
Viciei nela, no sexo que ela fazia, no corpo dela e no jeito que ela tinha de saber de tudo. Quando eu falava algo, ela já sabia, ela sempre sabia. Eu perdia, ela era tão nova e já sabia tanto. Me diverti? Em relação ao sexo, sim. Mas em relação ao resto não sei bem se tivemos muita conexão. Acho que quero vê-la de novo. Foder com ela, só isso. Deixar ela caladinha e só usar o corpinho dela. Ah, isso eu quero. Meu Deus, às vezes eu me espanto comigo mesmo, com minha reação animalesca e com meus pensamentos tão egoístas e moleques. Que homem estou me tornando? Esse aqui sou eu?
Uma nova versão de mim se criou naquele momento. O Paulo bonzinho foi embora, pra dar espaço para o garanhão, o safado, o filho da puta, o que queria foder e não mais fazer amor. Esse agora era eu. Se eu gostava dele? Eu nem pensava, eu agia no piloto automático. Raiva era o que que sentia da Dani, então comecei uma fase de acasalamento. Não parávamos de transar. Encontrava a Paty à tarde, já que ela estava na faculdade e sempre tinha tempo. Eu me virava na hora do almoço, fugia dizendo que ia ao médico, nas horas dos intervalos. Nunca fui tão irresponsável como agora. Três meses se passaram e a coisa foi esfriando. A gente nem conversava, só fodia e eu já tinha me acostumado com o corpo dela, com o jeito dela. Nada mais era novidade pra mim e pra ela também não. Perguntei se ela tinha outro e ela riu da minha cara, disse que tinha outros, que era nova, que é isso que os jovens fazem: transam e transam. Naquele momento me senti agradecido de ter sempre usado camisinha. Eu poderia pegar uma doença ou ter passado alguma doença pra Dani. Não que a Dani tenha tentado alguma coisa. Na verdade, nesses últimos dois meses, ela não me procurou nem uma vez. Eu estava exausto por causa da Paty, mas não iria negar fogo, mas nem isso ela fez.
Saio do motel, deixo a Paty em casa e sabíamos ali que era o nosso final. Desejei sorte a ela, ela me deu um beijo no rosto e não sei por que mas naquele momento eu olhei dentro de seus olhos, me senti confortável com ela; e por isso fiz a pergunta que mais me atormentava até hoje.
– Você acha meu pênis pequeno? – não sei como aquilo saiu da minha boca assim, mas vi no rosto dela a resposta e aquilo me ofendeu imensamente. Criei coragem, então e continuei:
– Ele não te deu prazer? Eu não te dei prazer? – vi a cara de filha da puta dela naquele momento e me senti o mais humilhado de todos os caras, meu ego foi lá embaixo, se eu tinha alguma ereção e autoestima; elas nunca mais iriam se levantar, tinha certeza disso.
– Meu bem, prazer eu senti, mas gosto dos negócios maiores, se é que você me entende. Essa coisinha aí, só faz cócegas. Você deu sorte de ser grosso, porque se não, eu não teria ficado esse tempo todo com você.
Olho pra ela pela última vez e entendo ali que tudo que ela queria era agradinhos, se sentir gostosa, se sentir no controle, usar e abusar dos motéis. Caramba, eu achando que ela era ingênua! Acabou comigo ali. Me matou na unha. Meu pênis faz cócegas? Será que me recuperarei dessa? Volto pra casa arrasado e me sentindo o mais idiota de todos os homens. Foi bom? Foi ótimo. Eu a comi de todos os jeitos que eu queria e até dos jeitos que eu nem sabia que podia. Então, Paulo, pare de ser um maricas e pense como um homem. Foi bom enquanto durou. Aproveitei minha vida, vivi. Fico repetindo isso pra mim mesmo e um dia acreditarei nisso. Eu comi uma gatinha por três meses. Se eu contar, ninguém acredita. Começo a rir agora da minha aventura amorosa e chego em casa alegre por minha esposa nunca ter sido tão filha da mãe assim comigo.
Vejo a Dani, ela já preparou o jantar, me sento com ela e ela fala:
– Está diferente! Alegre.
– É você, meu bem. Você é a mulher certa pra mim.
– Eu sempre soube disso – ela fala rindo agora.

– Vem cá – eu a beijo, ela me afasta para que eu não tente mais nada e naquele momento a dor volta. Olho pra ela, dentro de seus olhos e penso até quando? Não sei mais se consigo fingir depois de tudo que tenho passado ultimamente.

Sinélia Peixoto

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Sinélia Espíndola Peixoto nasceu em Brasília em 06 de Dezembro de 1977, estudou sua vida toda em Brasília. Fez um ano de intercâmbio para os Estados Unidos quando era adolescente, voltou e começou a trabalhar como professora de inglês logo que entrou para a Faculdade. Cresceu ali, em Brasília, viu a cidade crescer a sua volta, fez amigos, mas sempre tinha o desejo de sair, conhecer o mundo. Fez faculdade de Letras – Português/ Inglês na Universidade Católica de Brasília, de 1996 à 1999. Depois fez seu mestrado na University of Liverpool – Liverpool na Inglaterra de 2000 à 2001. Ela foi professora universitária, professora da educação infantil, professora particular, tradutora e hoje é servidora pública, trabalha na Secretaria de Educação de Brasília e com esse livro se tornou também uma escritora. Sinélia sempre escreveu, quando adolescente teve poemas publicados na escola onde estudava e gosta de escrever desde sempre. Ela tem sua vida toda em Brasília, tem dois filhos pequenos ainda, é divorciada e sabe bem o que as mulheres passam e sofrem nos dias de hoje tendo que cuidar da casa, da família, dela mesma e trabalhar fora ao mesmo tempo. Por Que Eu?, Por Que Não Eu? E Agora Sim Sou Eu!, são três livros escritos por ela para a mulher atual, romântica, dona de si, trabalhadora, mãe, batalhadora, forte, que enfrenta a vida com garra e que mesmo assim não perde sua doçura, sua feminilidade e sua beleza interior. São livros que nos mostram que conseguimos tudo com amor e dedicação, basta a força de vontade e coragem de assumir nossas responsabilidades e lutar sempre.
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A história

Por que Eu? é o pontapé inicial da Trilogia do Eu.

O romance é narrado em primeira pessoa. Desta forma, embarcamos na vida da protagonista Elizabeth, uma brasiliense de 28 anos. A história se passa no começo de 2013, ano em que Beth está disposta a dar uma guinada na vida.

A busca por um futuro melhor tem início já no réveillon. O lugar? Porto Seguro. Um grupo de amigas quer marcar a chegada de um novo ano com muita bebida e diversão. Beth está entre elas, mas, no fundo, não consegue se entregar. Está sozinha há quatro anos e, ao contrário de suas amigas, não vai para a cama com qualquer um.

Beth conhece o advogado Antônio, também de Brasília, e eles engatam um romance ao voltarem para a capital do país. Ela pede demissão para se dedicar a concursos e se casa com Antônio. Então vêm os filhos, as dificuldades, os desafios da vida a dois e a busca pela satisfação sexual e profissional.

# Opinião

Sinélia Peixoto já inicia seu romance incendiando as páginas. Logo de cara, entramos na intimidade da protagonista, que nos revela detalhadamente um sonho erótico. Nada de formalidade na maneira de apresentar Elizabeth ao leitor. Primeiro veio o prazer (literalmente), depois, a satisfação.

Os ânimos se acalmam e percebemos uma personagem diferente do que se mostrou no início. Beth é uma mulher insegura e até um tanto neurótica. Por vezes, é fácil pensar que ela tem depressão. Uma mulher que pensa demais, que analisa demais e que age de menos.

Beth é uma mulher comum, que poderia ser a minha vizinha ou a sua. Ela gosta de ler, filosofar e ouvir música. O livro é cheio de citações de autores como Paulo Coelho e Confúcio; trechos de músicas de Lulu Santos, Roberto Carlos e Fábio Júnior, entre outros, devidamente referenciados nas notas de rodapé.

A autora optou pelo vocabulário simples, usando gírias e expressões populares no Brasil. A narrativa apresenta também algumas quebras de foco. Em um momento, o leitor acompanha a tórrida relação de Beth e Antônio, com diálogos picantes e muito sexo. Em outro, Beth se torna uma psicóloga das amigas. O que fica evidente é que os problemas alheios sempre são mais fáceis de resolver, porque ela aconselha todo mundo, é sábia ao extremo, mas quando é o sapato dela que aperta, o mundo cai.

As análises de Beth com relação a tudo ficaram desgastantes. Ela tenta passar uma imagem de mulher forte, que quer trabalhar e ser independente, mas eu a vi como uma pessoa que não definiu ainda um rumo na vida.

Outra coisa que me incomodou foi o teor das conversas do casal. Quando eles se conhecem, é normal que a paixão avassaladora tenha obrigado a autora a criar diálogos mais românticos, com declarações de amor que marcam o início de um relacionamento. Porém, Beth e Antônio continuaram assim depois de anos de casados.

“Eu te amo” e todas as variações desta frase se repetiram exaustivamente. Talvez a intenção da autora tenha sido mostrar o brilho do começo do casamento e, nos próximos livros da trilogia, focar nos “contras”. O problema foi que, apesar de uns pequenos conflitos, o relacionamento de Beth e Antônio ficou perfeitinho demais.

Minha última crítica é relacionada ao tamanho dos diálogos, que contribuiu para que o livro tenha chegado a quase 500 páginas. Além disso, faltou descrever as ações enquanto os personagens falavam. Um diálogo fica muito mais convincente se o leitor conseguir visualizar a expressão do personagem, os movimentos que ele faz, entre outras coisas. Isso também ajuda a dar uma quebra nas falas. Se o livro não tivesse essas conversas enormes e se o casal não ficasse toda hora se declarando, o número de páginas poderia ter sido consideravelmente menor.

O mergulho durou uma semana e o saldo foi positivo. Fica a recomendação!

# Extra

Uma coisa que não ficou clara para mim, foi a relação entre a capa, o título e a história. No mais, quero acompanhar a continuação para saber o que vai acontecer com Beth e Antônio. A autora deixou um bom gancho no final.

Sinélia Peixoto é parceira do blog. Se quiser saber mais, clique aqui.

 

 

 

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Sinélia Espíndola Peixoto nasceu em Brasília em 06 de Dezembro de 1977, estudou sua vida toda em Brasília. Fez um ano de intercâmbio para os Estados Unidos quando era adolescente, voltou e começou a trabalhar como professora de inglês logo que entrou para a Faculdade. Cresceu ali, em Brasília, viu a cidade crescer à sua volta, fez amigos, mas sempre tinha o desejo de sair, conhecer o mundo. Fez faculdade de Letras – Português/ Inglês na Universidade Católica de Brasília, de 1996 à 1999. Depois fez seu mestrado na University of Liverpool – Liverpool na Inglaterra de 2000 à 2001. Ela foi professora universitária, professora da educação infantil,e professora particular, tradutora e hoje é servidora pública, trabalha na Secretaria de Educação de Brasília e com esse livro se tornou também uma escritora. Sinélia sempre escreveu, quando adolescente teve poemas publicados na escola onde estudava e gosta de escrever desde sempre. Ela tem sua vida toda em Brasília, tem dois filhos pequenos ainda, é divorciada e sabe bem o que as mulheres passam e sofrem nos dias de hoje tendo que cuidar da casa, da família, dela mesma e trabalhar fora ao mesmo tempo. Por que eu?, Por que não eu? E Agora Sim sou seu! São três livros escritos por ela para a mulher atual, romântica, dona de si, trabalhadora, mãe, batalhadora, forte, que enfrenta a vida com garra e que mesmo assim não perde sua doçura, sua feminilidade e sua beleza interior. São livros que nos mostram que conseguimos tudo com amor e dedicação, basta a força de vontade e coragem de assumir nossas responsabilidades e lutar sempre.
Boa Leitura a todos!

Divulga Escritor – Escritora Sinélia, é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos em que momento pensou em escrever a trilogia “Por que eu?”, “Por que não eu?” E “Agora Sim sou seu!”?
Sinélia Peixoto – Na verdade, eu estava em um processo intenso de terapia logo após o meu divórcio e meu terapeuta disse que eu deveria escrever um diário, já que tinha muita coisa em minha mente que precisava ser liberado; só que eu não conseguia escrever um diário, porque acho que meus dias são todos iguais. Então, depois de muito insistir nisso e ver que não ia dar em nada, o meu terapeuta resolveu me pedir pra escrever qualquer coisa e me desafiou dizendo que se eu não escrevesse, eu não estaria liberada da terapia. Um belo dia, eu estava caminhando no parque e tive certeza que estava pronta pra escrever algo. Cheguei em casa e comecei, nisso escrevi os últimos dois capítulos do Por Que Não Eu? em menos de 20 minutos, aí quando eu percebi que o que eu tinha escrito era um livro, simplesmente voltei e comecei a escrever o começo da estória, surgindo assim o Por Que Eu? e o Por Que Não Eu?; Em um mês terminei os dois livros, mas achei que a mulherada iria acabar comigo se eu não escrevesse o terceiro; aí surgiu o Agora Sim Sou Eu!

Divulga Escritor – Qual o foco principal da mensagem que você quer transmitir ao leitor através dos textos apresentados em seus livros? Conte-nos um pouco sobre a construção do enredo que compõe cada obra.

“Por que eu?” – Nesse livro trabalho relacionamentos tanto consigo mesmo quanto com o parceiro. É um romance baseado em estórias reais. É um processo de autoconhecimento, faço várias perguntas, nas quais cada pessoa terá uma resposta. O intuito aqui é começar a pensar sobre sua vida, seu relacionamento, naquilo que realmente queremos para nós e para nosso futuro. Falo de sexualidade e de como isso é importante tanto para o casal quanto para o indivíduo. Falo do casamento, da dificuldade de permanecer um casal quando os filhos nascem e da dificuldade de ser mãe, ter uma carreira e ainda assim não perder sua feminilidade, sua sexualidade e permanecer casada, ao mesmo tempo que passa por tudo isso.

“Por que não eu?” – É um livro sobre perdas, nesse livro a personagem principal se depara com a perda daquilo que ela mais ama e da base, na qual foi construída sua vida. Ela tem que reconstruir tudo de novo. É um processo de reconstrução do Eu. Ela se vê sozinha, sem identidade, sem amor, sem ninguém para ajudá-la depois de seis anos de luta. E ela tem que se ajudar, porque nesse processo a ajuda tem que vir dela mesma, é interno, a cura e a reconstrução começa dentro de cada um. O sofrimento da personagem é mostrado e esse processo de análise da vida dela e das perdas sofridas é necessário para a reconstrução da autoestima e da personalidade da personagem principal. Continua como um processo de autoconhecimento, no qual várias perguntas são lançadas e cada leitor terá sua resposta, de acordo com sua vida, só que aqui ela se analisa; vê o que perdeu e o que aprendeu em sua vida. Ela descobre que pode escolher o que quer daqui pra frente. Sua vida é escolha sua.

“Agora Sim sou seu!” – Nesse livro trabalho escolhas. A personagem principal descobre o valor de sua vida, o que tem que ser vivido e o que pode ser evitado. É um romance, no qual ela escolhe seu parceiro, faz testes com vários outros parceiros para ver se dá pra aprender a amar alguém ou se o amor é algo que ela precisa já ter antes de começar um relacionamento; e decide aquilo que ela quer viver daqui pra frente. Ainda como um processo de autoconhecimento, a personagem se depara com o seu pior, como seu espelho; tenta se livrar e enfrentar dos seus maiores defeitos. No final, ela escolhe que quer ser feliz e fará tudo que for possível para isso. O amor bate a sua porta e ela decide abri-la e aceitar o que vier de bom para ela e sua família.

Divulga Escritor – O que a inspira a escrever sobre mulheres?
Sinélia Peixoto – Eu sou mulher e como mulher, você faz vinte coisas ao mesmo tempo, porque você não tem escolha hoje em dia. Você tem que trabalhar, cuidar da casa, dos filhos, educá-los, pagar contas, malhar, cozinhar, estudar (porque nunca podemos parar de aprender), e ainda queremos amar, ser amada, continuar sendo doce, feminina, sensual e sexualmente ativa. Ser mulher é muito complexo! E eu como professora e escritora tiro o meu chapéu para aquelas que conseguem tudo, do jeito delas, mas conseguem. Ninguém é perfeito, mas estamos sempre tentando fazer nosso melhor e o amor faz parte disso. Amamos intensamente, nos doamos arduamente, batalhamos todos os dias e eu quero contar essas estórias reais em meus livros; estórias de mulheres reais que lutam por sua vida, que tentam ser felizes, mesmo que o mundo não colabore com elas. Mulheres que nunca perdem a esperança e a fé; são essas mulheres que merecem ser celebridades e que merecem ser inspirações para o mundo.

Divulga Escritor – No momento, o leitor pode encontrar o primeiro livro da trilogia “Por que eu” qual a previsão para publicação dos outros dois?
Sinélia Peixoto – O Por Que Eu? foi publicado pela Editora Chiado. Ele está chegando às livrarias devagarzinho, porque estamos em um país onde não se lê e não se investe muito em livros. Caso você não o encontre, pode pedir para a livraria encomendar ou comprar pelo site da Chiado. Ainda não assinei o contrato dos outros dois, mas estamos programando para que o Por Que Não Eu? seja publicado ainda esse ano. Estou aberta a sugestões e a negociações, porque os livros já estão escritos.

Divulga Escritor – Onde podemos comprar o seu livro?
https://www.chiadoeditora.com
Livraria Cultura, Leitura, Saraiva, Siciliano e me disseram que estão negociando com a Fnac

Divulga Escritor – Observando o cenário mundial, como você vê a posição da mulher no cenário atual brasileiro.
Sinélia Peixoto – Há 50 anos atrás, não éramos quase ninguém. É incrível como o mundo evoluiu em tão pouco tempo. Hoje, temos uma presidente (mulher); somos donas de empresas, diretoras, presidentes de grandes corporações, estamos em todos lugares. O Brasil ainda é um país machista, no qual a maioria dos homens ainda acha que podem mandar nas mulheres, e que a responsabilidade pela casa e filhos é só nossa; mas estamos nos modificando aos poucos. Atualmente, a mulher tem conquistado espaço tanto dentro quanto fora de casa, temos maridos que cooperam e nos ajudam mais, dividindo o trabalho de casa e criação dos filhos; e disputamos vagas de empregos com os homens. Então, na verdade, o que precisamos é de ajuda e cooperação, porque disposição para trabalho, dedicação, amor e inteligência, nós temos; e a cada dia provamos mais isso à todos.

Divulga Escritor – Quais os principais hobbies da escritora Sinélia Espíndola Peixoto?
Sinélia Peixoto – Ler, ler, ler… Depois vem: viajar, brincar com meus filhos, namorar, dançar, assistir um filme e comer chocolate.

Divulga Escritor – Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário no Brasil?
Sinélia Peixoto – Precisamos de investimento. O mercado brasileiro, hoje, investe milhões em traduções de livros, principalmente americanos e quase nada em escritores brasileiros. Precisamos investir na gente, no nosso povo, no nosso país. Precisamos de livros que retratam nossa realidade e não a realidade americana ou a européia (nada contra os americanos ou os europeus, amo aqueles países, já morei tanto nos EUA, quanto na Inglaterra; tenho família e amigos que moram lá e até planejo morar lá com meus filhos por um ano, para eles conhecerem de perto outra cultura); mas a realidade brasileira é bem diferente. A família brasileira é estruturada de maneira singular e somos um povo mais caloroso e amoroso do que os europeus. Acredito que temos escritores fantásticos aqui, que não estão tendo chances de serem conhecidos, porque as editoras preferem pegar algo que já está pronto e traduzir, em vez de acreditar na gente. Meu sonho era ver os brasileiros crescendo e ficando conhecidos mundialmente.

Divulga Escritor – Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor a Escritora Sinélia Espíndola Peixoto, que mensagem você deixa para nossos leitores?
Sinélia Peixoto – Vamos ajudar nosso país a crescer. Vamos ler mais, comprar livros brasileiros, investir em nosso país; ajudar nosso povo a se desenvolver e a se melhorar. Mulheres, vamos à luta! Vamos nos valorizar, batalhar por nossa vida, se conhecer, investir em melhorias, em autoestima, em autoconhecimento. Recomecem se precisarem, joguem fora o lixo que os prendem ao passado. Cultivem uma vida leve e amem ao máximo, pois só através do amor a nós mesmos, seremos capazes de amar o outro. Conheça-te a ti mesmo: a máxima de Delfos nos mostra que quando nos conhecemos, conseguimos nos valorizar e aprender cada vez mais sobre o outro. Através de nós mesmos e dos nossos limites, aprendemos a respeitar o limite do outro. Então se valorize, se conheça, lute por si mesma. Obrigada por tudo, por lerem e espero que gostem e divulguem o Por Que Eu?; a página da Trilogia do Eu tanto no Facebook quanto o blog estão à disposição para maiores esclarecimentos e parcerias. Obrigada!

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Leia mais: http://www.divulgaescritor.com/products/sinelia-peixoto-e/

 

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Entrevista com Sinélia Peixoto!
06/03/2015
100versoes 0 Comentários Categoria: Cultura, Arte e Música
Esses dias eu falei muito o nome dessa linda escritora. A Sinélia é a autora do Livro Por que eu?. Já fiz um post todo dedicado à obra. Se você ainda não leu esse post, basta clicar aqui.

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Não satisfeita, procurei a Sinélia Peixoto e pedi uma matéria para o 100Versões. Ela abriu as portas da casa dela para um bate-papo pra lá de gostoso e intrigante. Vamos conferir?

100Versões. Quem é Sinélia Peixoto, por Sinélia Peixoto?

Sinélia Peixoto. Em primeiro lugar, Sinélia Peixoto é mãe de duas crianças lindas que são a razão do seu viver. Em segundo, ela é professora de inglês, português e pedagoga; adora psicologia, ama ler e romances. A Trilogia do Eu: Por Que Eu? é seu primeiro trabalho como escritora, os outros dois livros da trilogia (Por Que Não Eu? e Agora Sim Sou EU!) já estão escritos, mas não publicados ainda. Sou uma mulher guerreira, que trabalha 40 horas semanais, lê, escreve, estuda sempre, faz vários cursos ao mesmo tempo, cuida dos filhos, os educa, estuda com eles, ensina inglês a eles e ainda quero ser diva, cuidar do meu corpo, da minha mente, de mim mesma, descobrir quem eu sou, pensar sobre minha vida e fazer minhas escolhas conscientemente. Quero tocar no coração das mulheres, através dos meus livros com um pouco de romance meloso, mas ao mesmo tempo fazendo com que elas comecem a pensar sobre suas vidas e como chegaram onde estão, porque acredito que só a partir do autoconhecimento podemos nos entender e assim entender o outro, aceitar nossos defeitos, nos perdoar e começar a viver bem em sociedade. Eu sei quão difícil é fazer 20 coisas ao mesmo tempo, eu entendo a correria das mulheres hoje em dia e se eu puder ajudá-las a pelo menos se aceitarem e entenderem que perfeição não existe nunca, mas que podemos tentar melhorar e tentar fazer o melhor que conseguimos naquele momento; então já é meio caminho andado. Aceitação de si mesmo e do momento que se vive já é o começo para uma vida mais leve.

100Versões. Quando e como surgiu a ideia de escrever um livro?

Sinélia Peixoto. Meu terapeuta sempre me pedia para escrever um diário e eu nunca consegui, porque acho que meus dias são todos iguais. Então ele me desafiou, dizendo que não me liberaria da terapia, até eu escrever alguma coisa, porque minha mente estava muito cheia (de acordo com ele). O pior é que ele estava certo, porque um belo dia, eu andava pelo parque de Águas Claras e o último capítulo do livro dois surgiu na minha cabeça e a partir do momento que me senti preparada, sentei e não me levantei mais até acabar os dois primeiros livros. Escrevi os dois em um mês e o terceiro levou mais um mês, então conclui o projeto todo em dois meses.

foto 3100Versões. Por que eu? é o primeiro livro de uma trilogia. Você já tem uma data prevista para os outros 2 livros? E já tem nome? Se sim, pode contar pra gente?

Sinélia Peixoto. Os próximos são: Por Que Não Eu? e Agora Sim Sou EU!; já estão escritos, só falta assinar o contrato. Estamos planejando o segundo volume para o final do ano, mas estou aberta a discussões e novas oportunidades.

100Versões. Por que eu? conta a estória de uma mulher moderna, que luta para conquistar o seu lugar, mas que não abre mão da delicadeza. Você se inspirou em você? Você é uma mulher que luta para conquistar o seu lugar e não abre mão de ser delicada?

Sinélia Peixoto. Sim e não. Eu sou uma mulher guerreira acima de tudo, que luta por seu espaço, sua independência, luta para ser mãe em todos os sentidos, e também luta para ser mulher; só que eu sempre acho que posso melhorar ou que há algo a mais para fazer, mas vivo na correria do dia – a – dia. Eu tento o máximo cuidar de mim, mas talvez a Elizabeth do livro seja mais mulherzinha nesse sentido. Eu uso maquiagem quando dá tempo, eu uso salto alto só pra festas. Acho que ela se arrume melhor do que eu no dia – a – dia. Eu tenho que aprender com ela.

100Versões. Por que eu? conta, também, a história de uma mulher de 28 anos, de Brasília, que vai passar o Reveillon em Porto Seguro e conhece, digamos, o homem da sua vida. Você viveu essa história? Se não, você conhece alguém que viveu essa história? Se sim, pode me falar um pouco a respeito?

Sinélia Peixoto. A estória da Elizabeth não foi real, apesar de ter no livro várias partes reais que ouvi em mesas de bares ou em uma roda de amigas. Juntei várias experiências e coloquei tudo nesse livro,com um pouco e ficção, algumas são com a Beth, outras com outros personagens. Eu não vivi esse amor dela, mas conheço uma amiga que conheceu o namorado dela no carnaval de Salvador e estão juntos há 5 anos; então pode acontecer, sim. E isso é o que eu acho mais interessante, porque já estava cheia de ler livros onde o personagem principal é tão poderoso e a mulher tão frágil, inocente, indefesa. Quero igualdade. Hoje estamos lutando por isso. A heroína hoje não é mais a de antigamente, precisamos de companheiros, não de homens que mandem em nós ou façam papel de pais em nossa vida. Não somos mais submissas, queremos andar ao lado deles, não atrás.

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100Versões. Como foi a experiência de escrever um livro?

Sinélia Peixoto. Adorei. Na verdade, eu só percebi que era um livro depois de ter escrito uns 4 capítulos. Foi uma catarse pra mim, esvaziei minha mente com essa trilogia e desde que comecei a escrever sentia que esse livro pertencia ao mundo e não a mim. Então, ele está aí, para o mundo e espero que gostem, porque pra mim já foi um sucesso por ter conseguido publicação em um país onde não se lê e nem se investe em livros. O financeiro nunca foi meu foco. Se ele fizer mais bem do que mal, então estou cumprindo meu papel no mundo.

100Versões. Como você está se sentindo com a conquista desse objetivo?

Sinélia Peixoto. Vitoriosa. Foi um sonho realizado e achei que ele ficou lindo. Simples e bonito, o que são justamente coisas que eu tento mostrar no livro. O belo está em todo lugar. Nem sempre o mais chamativo é melhor. A beleza está na simplicidade também.

100Versões. Quais são as expectativas para o lançamento do livro?

Sinélia Peixoto. Espero que as pessoas que compareçam, gostem do evento e se interessem pelo livro. Espero que elas divulguem e que um dia eu consiga passar por uma livraria e ver meu livro na vitrine, porque no começo é bem difícil conseguir que seus livros cheguem nas livrarias. Ninguém quer investir em algo desconhecido.

Sinélia Peixoto
Sinélia Peixoto
100Versões. O que o leitor pode esperar de Por que eu?

Sinélia Peixoto. Indagações. Dúvidas, muitas. Perguntas, autoconhecimento. Romance. Sexo. Amor e luta para melhorar seu relacionamento. Dicas de como brincar com seu parceiro e como se liberar de traumas que não nos permitem ser felizes tanto sexualmente quanto no dia-a-dia. Dicas de como ser todas mulheres em uma só.

100Versões. Pq o nome Por que eu?

Sinélia Peixoto. Sempre soube que escreveria um livro chamado Por Que Eu?, era um sonho de infância. E quando escrevi esse cheio de dúvidas, de perguntas e indagações vi que o nome era perfeito. Por Que eu faço isso? Por Que eu cai nessa? Por que eu estou aqui? Por que eu quero aquilo? Por Que eu vou ler esse livro? e por aí vai…

 

 

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Parceria | Sinélia Peixoto – Trilogia Do Eu
Cogitado por Arine-san Tags: autores nacionais, Chiado Editora, drama, literatura brasileira, Por que eu?, romance, trilogia do Eu
Saudações!

Não escondo meu amor em apoiar a literatura brasileira. Ainda no ínicio desse ano eu contei a vocês que estava finalizando todas as parcerias com editoras… Mas parceria com autores é algo que nunca consigo negar! Tem coisa mais linda do que ver nossos autores nacionais conquistando espaço nas estantes dos leitores da terra tupiniquim? <3 Participar um pouco disso é um dos meus maiores prazeres!
E a linda da vez é a Sinélia Peixoto, escritora da trilogia Do Eu. Com previsão de lançamento para o próximo mês, o livro Por que eu?, que dá inicio a trilogia, editado pela Chiado Editora promete ser um romance voltado para o público feminino cheio de autoconhecimento e luta pela felicidade.

Com uma ponta de si mesma na obra, Sinélia descreve sua trilogia como voltada para a mulher moderna, que luta por seu lugar no mundo sem perder a doçura. Natural de Brasília, atua como professora, tem dois filhos pequenos e é divorciada. Logo, dá para ver de onde, provavelmente, ela tirou a inspiração para seu livro: de si mesma. Afinal, cuidar dos filhos, do trabalho e da casa ao mesmo tempo não é nem de longe fácil, e é isso que ela passa, e quer passar também através do seu livro, escrito ainda em 2013.
Com a escrita em sua vida desde sempre, quando ainda adolescente escrevia poemas, esteve durante todo esse período em Brasília. Usando suas próprias palavras, a “trilogia (Do Eu) nos mostra que conseguimos tudo com amor e dedicação, basta a força de vontade e coragem de assumir nossas responsabilidades e lutar sempre por uma vida melhor”. Quer conhecer um pouco mais sobre o que o primeiro livro nos reserva?
Chiado Editora
Sinopse: Elizabeth é uma mulher de 28 anos, de Brasília, que decide começar o ano de 2013 de forma diferente, por isso ela vai à Porto Seguro passar o réveillon com as amigas para encerrar uma fase de sua vida e dar início à outra. Lá, ela conhece Antônio, um advogado também de Brasília que está se divertindo ali. Eles curtem juntos e quando voltam à Brasília começam um romance, só que Elizabeth está se descobrindo, se dedicando à cursinhos para concurso e Antônio já é estável e independente. Ela se sente perdida em meio à tudo que tem que aprender e descobrir sozinha, ela é uma pessoa honesta e sincera consigo mesma e luta para se analisar e se entender sempre. O primeiro livro é sobre esse primeiro momento, no qual os dois estão se descobrindo, ela buscando se profissionalizar, ele aprendendo com ela a se abrir, a ser honesto consigo mesmo; os dois buscando um relacionamento cada dia melhor e que os satisfaça sexualmente também. No entanto, os dois nem imaginam o que o futuro reserva aos dois, entre dores e descobertas horríveis.

 

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Sinélia nasceu em Brasília em 06 de Dezembro de 1977, estudou sua vida toda em escolas particulares de Brasília. Fez um ano de intercâmbio para os Estados Unidos quando era adolescente, voltou e começou a trabalhar como professora de inglês logo que entrou para a Faculdade. Cresceu ali, em Brasília, viu a cidade crescer à sua volta, fez amigos, mas sempre tinha o desejo de sair, conhecer o mundo. Fez faculdade de Letras – Português/ Inglês na Universidade Católica de Brasília, de 1996 à 1999. Depois fez seu mestrado na University of Liverpool – Liverpool na Inglaterra de 2000 à 2001. Isso tudo enquanto trabalhava como professora de inglês nos cursinhos em Taguatinga – DF. Ela foi professora universitária, foi professora da educação infantil, foi professora particular, tradutora e hoje é servidora pública, trabalha na Secretaria de Educação de Brasília e com esse livro se tornou também uma escritora. Sinélia sempre escreveu, quando adolescente teve poemas publicados na escola onde estudava e gosta de escrever desde sempre. Ela tem sua vida toda em Brasília, tem dois filhos pequenos ainda, é divorciada e sabe bem o que as mulheres passam e sofrem nos dias de hoje tendo que cuidar da casa, da família, dela mesma e trabalhar fora ao mesmo tempo. Por quê eu?, Por quê não eu? E Agora Sim sou seu! São três livros escritos por ela para a mulher atual, romântica, dona de si, trabalhadora, mãe, batalhadora, forte, que enfrenta a vida com garra e que mesmo assim não perde sua doçura, sua feminilidade e sua beleza interior. São livros que nos mostram que conseguimos tudo com amor e dedicação, basta a força de vontade e coragem de assumir nossas responsabilidades e lutar sempre.
FANPAGE/ E-MAIL: sinelia1@gmail.com

Elizabeth é uma mulher de 28 anos, de Brasília, que decide começar o ano de 2013 de forma diferente. Estagnada? Podemos dizer que sim. Sem perspectiva de mudanças? Também! Ela busca algo melhor para si, por isso vai à Porto Seguro passar o reveillon com as amigas para encerrar uma fase de sua vida e dar início à outra, mais adulta e com muitos desafios. Lá, ela conhece Antônio, um advogado também de Brasília. Eles curtem juntos e quando voltam à Brasília começam um romance. Elizabeth está se descobrindo. Ela pede demissão de seu emprego e começa se dedicando aos cursinhos para concurso. Antônio já é estável e independente. Quem é ela? Ela se pergunta e comparada a ele, ela se acha um Zé Ninguém. Ela se sente perdida em meio a tudo que tem que aprender e descobrir sozinha. Ela é uma pessoa honesta e sincera consigo mesma; luta para se analisar e se entender sempre; ele quer ajudá-la profissionalmente. Ele quer mais! Ela luta contra ele, tenta não se entregar, luta para ser honesta consigo mesma e aprender mais sobre si mesma sempre. Eles se casam, apesar de Elizabeth colocar empecilhos, e juntos têm dois filhos. O primeiro livro desta trilogia é sobre esse primeiro momento, no qual os dois estão se descobrindo, ela buscando se profissionalizar, ele aprendendo com ela a se abrir mais, se conhecer, a filosofar, a analisar sua vida, seus pensamentos e a ser honesto consigo mesmo. Os dois buscando um relacionamento cada dia melhor, aprendendo sobre o casamento e também buscando o que os satisfaça sexualmente. Eles se dedicam muito à vida sexual do casal, aprendem sobre o corpo do outro, sobre os gostos do outro; se conhecem e melhoram juntos, com carinho, dedicação e atenção. É um livro no qual Elizabeth discute muito consigo mesma, tenta entender suas neuroses, tenta se descobrir sexualmente e descobrir como é o casamento, a gravidez, a vida a dois e sua luta por melhoria profissional. Com um final muito triste e cheio de esperanças para o próximo livro.fundo-ecra-artistico-floresta

 

 

 

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Lançamento: Por que eu?
Oi pessoal! Hoje estou passando aqui para divulgar um lançamento nacional: Por que eu?, de Sinélia Peixoto. Conheçam a capa e sinopse abaixo!
Elizabeth é uma mulher de 28 anos, de Brasília, que decide começar o ano de 2013 de forma diferente, Estagnada? Podemos dizer que sim! Sem perspectiva de mudanças? Também! Ela busca algo melhor para si, por isso ela vai à Porto Seguro passar o réveillon com as amigas para encerrar uma fase de sua vida e dar início à outra, mais adulta e com muitos desafios. Lá, ela conhece Antônio, um advogado também de Brasília que está se divertindo ali. Se apaixonam? Eles curtem juntos e quando voltam à Brasília começam um romance. Elizabeth está se descobrindo, ela pede demissão de seu emprego e começa se dedicando aos cursinhos para concurso. Antônio já é estável e independente. Quem é ela? Ela se pergunta e comparada à ele, ela se acha um Zé Ninguém. Ela se sente perdida em meio à tudo que tem que aprender e descobrir sozinha, ela é uma pessoa honesta e sincera consigo mesma e luta para se analisar e se entender sempre; ele quer ajudá – la profissionalmente. Ele quer mais! Ela luta contra ele, tenta não se entregar e luta para ser honesta consigo mesma e aprender mais sobre si mesma sempre. Eles se casam, apesar de Elizabeth colocar empecilhos e juntos têm dois filhos. O primeiro livro é sobre esse primeiro momento, no qual os dois estão se descobrindo, ela buscando se profissionalizar, ele aprendendo com ela a se abrir mais, se conhecer, a filosofar, a analisar sua vida, seus pensamentos e a ser honesto consigo mesmo. Os dois buscando um relacionamento cada dia melhor, aprendendo sobre o casamento e também buscando o quê os satisfaça sexualmente. Eles se dedicam muito à vida sexual do casal e a se conhecerem e melhorarem juntos, com carinho, dedicação e atenção. É um livro no qual Elizabeth discute muito consigo mesma, tenta entender suas neuroses, tenta se descobrir sexualmente e descobrir como é o casamento, a gravidez, a vida à dois e sua luta por melhoria profissional. Com um final muito triste e cheio de esperanças para o próximo livro: Por Quê não Eu?